quinta-feira, 4 de dezembro de 2014




Relato de parto – Normal e hospitalar

Trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=ZJBJQSvkYrM




14 de novembro, manhã ensolarada, nenhum sinal que indicasse que o parto poderia estar próximo. Dia de levar sua avó Vanéria para conhecer o Templo Budista e a Usina de Itaipu. Após o passeio, passamos no mercado e fomos para casa fazer o almoço. Vovó Vanéria fez o famoso “lombo” que seu pai falava havia meses... vovó Vera também almoçou conosco. Depois do almoço a mamãe estava morrendo de sono e deitou no sofá para dormir. Acordei as 14:53 com uma cólica estranha e diferente das anteriores. Mandei mensagem para seu pai e para sua avó contando, ninguém deu muita bola não viu? Acharam que era um alarme falso... Continuei observando, as cólicas não passavam, mamãe começou a anotar todos os intervalos e intensidade.Primeiro em uma folha de papel, posteriormente em um aplicativo específico no celular. Eram dores rápidas e suportáveis, até que o “bicho pegou”. As contrações surgiam com intervalos de 8, 5, 7 e 4 minutos, e já estavam ficando difíceis de suportar. Ao fim da tarde, seu pai chegou do trabalho e sua vó Vera e seu vô Alcemar chegaram em casa. Sua avó já chegou pronta para ficar em casa conosco e ir ao Hospital caso necessário. As dores nesse momento já me impediam de sentar, deitar e falar durante as  contrações... Por vezes mamãe chegou a chorar. Informamos o médico por mensagem no celular sobre as cólicas e ele nos disse que quando ficassem ritmadas de cinco em cinco minutos o avisássemos e fossemos para o Hospital. A esta altura, eu já sabia que daquele dia não passava, suas avós estavam apreensivas e seu pai ainda parecia não acreditar que o dia havia chegado. Tanto é que suas avós já estavam prontas e ele estava no sofá como se nada tivesse acontecido... Depois de muita insistência ele se arrumou. 

As contrações ficavam cada vez mais fortes, porém os intervalos continuavam sem ritmo, apresentando-se de 7 em 7, 4, e 5 minutos.  Chegou o ponto em que não aguentava mais e implorei pro seu pai ligar pro médico, ele relatou tudo que estava acontecendo e o Dr. Pedro nos solicitou que fossemos ao Hospital para examinar. Isso aconteceu por volta das 22:00 do dia 14. Ao sair de casa, lembro de ter feito o seguinte comentário: “espero que a gente só volte aqui com a Lara no colo”. A caminho do hospital, as contrações pareciam mortais, não havia posição ou técnica de respiração que trouxesse um pouco de alívio. Foi a viagem mais longa que já fiz na vida. Chegando lá, Dr. Pedro já estava a minha espera, fez a checagem e me informou que estava com o colo afinado e 2 centímetros de dilatação. Desanimei muito, pois pela dor que sentia, tinha plena confiança de que estaria com uns 7 centímetros. Ele nos orientou então a voltar para casa, tomar banho na água quente, caminhar , e que após duas horas fossemos ao Hospital novamente para que fizéssemos a internação, pois neste período já haveria progredido bastante considerando o colo que estava bem afinado. Ok, melhorei um pouquinho do desânimo mas sugeri a todos que fossemos para a casa da vovó Vera, já que era mais perto do Hospital. Pronto, chegamos na casa da sua avó, mamãe foi pro chuveiro, andava pela casa, dava murros no guarda roupa, na geladeira, batia no colchão que estava encostado no quarto dos fundos, a dor estava alucinante. Não havia nada que pudesse ser feito com a finalidade de diminuir a dor, parece que todas as técnicas e dicas que passei os 9 meses lendo sumiram da minha mente. Comecei a chorar novamente, a gritar, gemer de dor... 

As 00:45 do dia 15 de novembro fomos novamente para o Hospital. Mais uma vez, contrações monstruosas a caminho do Hospital. Chegando lá o Dr. que estava no plantão fez a checagem para então, dependendo do progresso, ligarmos para o Dr. Pedro e lhe informar o andamento das coisas. Então veio a pior notícia naquele momento, mamãe ainda estava com os mesmos 2 centímetros de dilatação. O Doutor que estava no plantão disse para irmos para casa, tomar banho, aquela coisa toda que eu já não queria ouvir. Informei a todos e eu realmente não estava disposta a ter contrações no carro novamente, ir para casa, e continuar passando por aquilo. Fiquei lá fora, na frente do pré parto com seu pai e sua vó Vera decidindo o que fazer da vida. Não sabia se fazia cesárea, se ligava para o médico pedindo para induzir, só sabia que não queria sair dali por nada nesse mundo. Após uns quarenta minutos gemendo de dor do lado de fora do Hospital e de conversar com o pessoal, sua vó ligou para o Doutor Pedro,contou que estávamos sem progresso e que eu já não aguentava a dor. O Doutor chegou lá após meia hora e disse que já era pra ter avançado alguma coisa, que o colo estava afinado mas pelo jeito demoraria muito e a indicação seria uma cesária. Naquele momento eu estava com tanta dor que tudo que queria era parar de sentir tudo aquilo, a tal ponto que esqueci todas as teorias a favor do parto normal e topei. Quando entramos no pré parto ele perguntou novamente se eu queria fazer a cesária, eu disse que sim, então ele começou a ver meu histórico no computador e resolveu fazer outra checagem já que último toque havia sido a mais ou menos uma hora atrás. O pessoal ficou esperando lá fora...







Foi constatado que eu estava com 4 centímetros de dilatação e fui encaminhada a uma sala em que havia outra mamãe esperando pelo nascimento do seu bebê, esta faria uma cesárea e não sentia nada, apenas me olhava com a maior cara de dó (risos). Aplicaram ocitocina a fim de induzir o parto, me ofereceram uma bola para fazer exercícios, coletaram sangue, fizeram milhares de perguntas, e enquanto eu pensava que as dores haviam chegado em seu ponto máximo: sim... elas começaram a aumentar. Pedi para ficar em pé ,foi autorizado,  andava de um lado para o outro, pedindo a Deus que tirasse aquela dor ... uma enfermeira solicitou novamente que eu deitasse, começou a controlar os seus batimentos cardíacos, e lá estávamos nós... Em nenhum momento gritei, pois não queria assustar a moça ao lado, mas passando um  tempinho a dor era tanta que comecei a fazer uns barulhos baixinhos e desesperadores... acho que o médico ficou com dó da mamãe e foi lá me dizer que faríamos analgesia. Fui para a sala de parto fazer a tão esperada analgesia, neste momento, mamãe estava crente de que ficaria imobilizada das pernas para baixo e toda aquela dor sumiria como nos vídeos que andei assistindo durante a gestação. Para fazer a tal anestesia foi o maior sacrifício, permanecer quieta durante as contrações era uma missão impossível e a equipe responsável parecia não estar muito feliz em aplicar anestesia com apenas 4 centímetros de dilatação. Ainda bem que logo o Dr. Pedro chegou na sala e o tratamento mudou. Ok, anestesia feita, o médico pediu que eu ficasse andando para acelerar o processo. Foi aí que percebi que a anestesia aplicada era apenas para aliviar e não para acabar com a dor. Neste momento, seu pai e sua avó Vera já estavam no corredor paramentados para assistir o parto (Sim, durante o pré natal fizemos este pedido ao Dr. Pedro e ele autorizou que sua avó assistisse também), do lado de fora, sua avó Vanéria também aguardava, pois não tinha autorização para entrar. Voltamos ao quarto , novamente respondi várias perguntas e daquele momento em diante fiquei sempre acompanhada pelo papai e vovó. Eu não senti melhora nenhuma da dor com aquela anestesia, mas acredito que poderia ficar pior sem ela ( também não consigo imaginar o que seria pior que aquilo). Um tempinho depois o Dr.Pedro disse que iria estourar a bolsa e pediu pro seu papai e sua avó que saíssem um minuto da sala. 

Eis que surge a notícia mais louca do dia: mamãe estava com 9 centímetros de dilatação!!! Então ele falou: “ Você já está com 9 centímetros, vamos para a sala do parto que já irá nascer...”. Meu coração foi a mil, fiquei muito assustada e feliz ao mesmo tempo, fomos todos para a sala do parto e continuei andando a pedido do médico, a dor era alucinante e fui orientada que quando estivesse sentindo uma pressão era para avisá-lo pois iria nascer. Nesse meio tempo, sua avó Vanéria aparece na sala toda paramentada também.Depois fiquei sabendo que seu pai pediu pro médico que ele deixasse ela assistir ao parto também já que ela havia vindo de tão longe para seu nascimento. E não é que ele autorizou?(Esse Doutor Pedro é um anjo mesmo né?) Poucos minutos depois, informei ao médico que já não dava mais para ficar em pé, ele solicitou que deitasse na maca e os procedimentos começaram. Com a vinda das contrações, pediram que eu fizesse força para você vir ao mundo... e nestes poucos minutos passei pelos momentos mais emocionantes e desesperadores da minha vida. A contração na posição horizontal é a pior coisa do mundo, mamãe fazia a tal da força mas não sentia nada acontecendo, quando na terceira força comecei a sentir o corpo formigar, tontura, incapacidade de respirar e quase certeza de que iria desmaiar de tanta dor. A enfermeira segurava na minha mão e me dizia que eu precisava respirar porque você ainda precisava de mim, então tirei forças de onde não havia. O Doutor disse que a próxima contração seria a última e você nasceria... pensei comigo: “ ele está querendo me enganar, até agora eu não senti nada saindo...” mas resolvi obedecer e fazer a tal “força comprida”. Colocaram oxigênio em mim para que ajudasse com a respiração e na próxima contração fiz o máximo que pude... Você nasceu! Senti o seu corpinho nascendo mas estava tão “na partolândia” que não consegui realmente entender o que havia acontecido. Lembro-me que a pediatra te examinou, colocaram você sobre minha barriga, apenas coloquei o braço sobre você e pensei... pronto, agora minha vida nunca mais será a mesma. Uma mãe havia nascido naquele momento, junto com você. Te levaram para o banho e o Dr. Continuou com os procedimentos. 

O parto foi normal, com analgesia, episiotomia, muitas anestesias locais e o “parto da placenta” foi mais dolorido que o seu próprio parto sabia? Não foi um parto natural como se "prega" atualmente, houveram intervenções, mas acredito que tudo ocorreu da melhor maneira possível e que essas intervenções foram necessárias para evitar que este momento se tornasse traumático.  

Ao fim de tudo, o Dr. Nos parabenizou pela força e por você. Naquele momento eu entendi a importância de um bom acompanhamento médico, com um profissional responsável, preocupado com o bem estar do paciente e que acima de tudo respeitou a minha primeira vontade * o parto normal. 


Então, mesmo quando eu mesma já havia desistido de mim, ele não desistiu. Fui encaminhada a sala de recuperação e logo logo a Dr. Greice, pediatra, perguntou se eu estava bem pois você estava “comendo as cobertas” de tanta fome... Eu disse que sim e logo você veio juntinho de mim, na sua primeira hora de nascimento para mamar. 


Que momento mágico! Ali eu já estava consciente, recuperada das dores e curtindo a passagem mais importante e linda da minha vida. 



E para quem estiver lendo e pensando " é muita dor... jamais quero um parto normal" eu digo: Gente, dói mesmo, dói muito, mas vale super a pena... a recuperação é maravilhosa. Deus é tão perfeito em sua obra que ele faz a gentileza de apagar da sua memória no dia seguinte toda sensação da dor, tanto é que não sei explicar como ela é... Essa era uma coisa que me deixava inquieta... questionar como é a dor e ninguém saber responder... e não é que é assim mesmo? Não lembro não... OBRA DE DEUS, caso contrário ninguém mais queria ter filho...rs..rs.  Vou colocar algumas fotos para ilustrar este relato:



Papai ajudou no seu nascimento... As vovó também assistiram, mas não tem foto :/ 



Você nasceu as 4:36 (am) com 50 cm e seu peso foi  3kg e 150gr. 



No domingo recebemos alta hospitalar, e mamãe foi para casa com o presente mais lindo que poderia ganhar nessa vida: você. 





Agradeço a Deus por você ter nascido saudável, perfeita e trazendo tanta luz para nossas vidas;
Ao Dr. Pedro Françoso por ser um profissional excepcional durante toda gestação e  insubstituível neste dia tão importante;
À sua avó Vera por estar sempre presente e demonstrar tanto amor;
À sua avó Vanéria pela ajuda durante seus primeiros dias;
E finalmente ao seu pai, por ser um marido enviado por Deus, por estar sempre ao lado da mamãe desde o momento em que descobrimos a gravidez até os dias de hoje... e claro, por ter me dado a oportunidade de te gerar,  dar a luz e ter você... 


Lara, espero que este relato traga para sua vida um pouquinho da emoção que vivemos durante este período. Saiba que te amamos muito e que você trouxe luz e muito amor para nossas vidas! 



"Você é a tradução do que é o amor..."  

*Foto do seu primeiro dia de vida.



Obs: Peço desculpas pelos erros e incoerência na ordem do texto... faz uma semana que tento escrever este relato. Um abraço a todos!